sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

TRAVES DE UM ESTUDO VISANDO ENRIQUECER A CULTO AFRO-BRASILEIRO

PREFEITURA MUNICIPAL DE SAPUCAIA DO SUL E A  AFROSSUL (Associação Africanista e Umbandista de Sapucaia do Sul), a traves de um estudo, visando enriquecer a culto afro-brasileira e orientar este segmento religioso no que se refere aos procedimentos em relação a cultos e entregas de trabalho religiosos no meio ambiente.



Introdução 




A guerras havidas entre o Dahomé e a Nigéria, mais ou menos no meado para o final do século XVI, em que o Estado do Kétu, teve praticamente metade do seu território anexado ao Dahomé como espólio de guerra após sua população juntamente com a de Meko, ter sido saqueada e parte dela capturada como escravos perdurando essa anexação militar até os dias atuais.

Como Resultado dessa guerra, muitos foram capturados de ambos os lados, e foram vendidos aos Portugueses como escravos. Foi quando, já ao final do século, começaram a chegar tantos os escravos de origem Ewa-Fon, conhecido popularmente como Jejes, oriundos do Benen, antigo Dahomé, que capturados pelos Yorùbá, com a recíproca, dos Yorùbá capturados pelo Ewa-Fon, também vendidos como escravos.

Os Yorùbá em sua maioria, eram oriundos de Kétu, território anexado. Mas, também vieram negros trazidos de outras áreas Yorùbás como Òyó, Ègbá, Ilesa, Ifon, Abeokuta, Ire, Ìfe, etc.

Estes grupos (Jeje e Yurùbá) quando chegaram ao Brasil, continuaram inimigos ferrenhos e não havia hipótese de um aceitar o outro. Mas, eram indivíduos de tradições sociais religiosas tribais, e não podiam sobreviver sozinhos. Então procuraram unirem-se em virtude da condição cativa de ambos. Essa união era difícil tanto pela barreira do idioma, pois eram vários e diferentes em dialetos, quanto pelo ódio que alguns nutriam contra os outros do que os Senhores de escravos, o que certamente poderia colocar em risco a segurança dos brancos. Então, quando eles permitiam que os negros se reunissem no terreiro para cantar e dançar, estimulavam-lhes que fizessem “rodas” separadas, somente com seus compatriotas, onde os Kétu não misturavam-se aos Jejes nem Bantu e assim também os outros faziam o mesmo ele próprios com relação aos outros. Mas, com o tempo essa tática foi deixando de dar certo, porque os negros entenderam que sua maior fraqueza era a sua própria desunião, e resolveram se unir para facilitar um pouco à sobrevivência, unindo-se contra o inimigo comum, isto é, o branco. Isso é mais evidenciado com a instituição dos quilombos, que eram focos de resistência dos fujões, e que não se curvavam à escravidão.

Nossa religião nós cantamos, oramos e, até dialogamos em Yorùbá com pequenas frases e termos usuais do dia-a-dia nas casas de cultos com a assimilação de um ata vasto vocabulário, se levamos em consideração as condições em que se deu a preservação disto. 
Então no Candomblé nós Cultuamos os Orixás. Isto nós o fazemos diuturnamente no culto aos Orixás, de acordo com a herança a nós legada pelos nossos ancestrais negros que nos ensinaram como faze-lo através dos séculos desde então, da maneira como eles faziam. Essas maneiras são variadas e diversas embora, aos olhos do leigo possa parecer tudo a mesma coisa.

Dessas maneiras, a mais popular é o ORIN (a cantiga-música). Com ela nós louvamos qualquer Orixá ou Imalè (espírito). As cantigas são modos de enaltecer e glorificar os fatos e feitos relacionados a determinado Orixá ou Imalè, reportando um acontecimento ligado à mitologia daquele Orixá.


O BATUQUE 
RIO GRANDE DO SUL

    
Batuque é um termo genérico aplicado aos ritmos produzidos à base da percussão por freqüentadores de cultos cujos elementos mitológicos, axiológicos, lingüísticos e ritualísticos são de origem africana. O batuque é uma religião que cultua doze orixás e divide-se em “lados” ou “nações”, tendo sido, historicamente, as mais importantes a seguintes: Oyò, tida como a mais antiga do estado, mas tendo hoje aqui poucos representantes e divulgadores; Jeje, cujo maior divulgador no Rio Grande do Sul foi o Príncipe  Africano Custódio, Ijexá, Cambinda, e Nagô, são outras nações de destaque neste estado. Nota-se que o Keto esteve  historicamente ausente no RS, vindo somente nos últimos anos a se integrar por meio do candomblé.

OYÒ -  Segundo a tradição local, esta nação chegou oriunda da cidade de Rio Grande. 

As especificidades da nação Oyó residiam, sobretudo, na ordem das rezas, uma vez que chamavam primeiro os orixás masculinos e a seguir os femininos, encerrando-se com as de Yansã (Oiá), Xangô e finalmente Oxalá, o destaque para os dois orixás resultando do fato de serem o Rei e a Rainha de Oyó. Também era próprio da nação Oyó os orixás conduzirem em suas bocas, ao término das obrigações, as cabeças dos animais oferecidos em sacrifício;  finalmente, segundo os mais antigos, no Oyó os ocutás eram enterrados, em vez de colocados em prateleiras (ibidem).

IJEXÁ -  Trata-se da nação predominante hoje no estado. Os deuses invocados são os orixás e a língua ritualística é o ioruba. 

JEJE – No dizer de Pernambuco Nogueira; 

[...]Foi, durante muito tempo, a Nação que predominou no Rio Grande do Sul, em que pese o fato de jamais termos ouvido falar em voduns a exemplo dos cultuados em São Luis do Maranhão. Sempre ouvimos dos que diziam Jeje puros falar em invocar os Orixás Nagô. Dada a complexidades de seus toque, a morosidade dos mesmos e a dificuldades na preparação dos tamboreiros que, inclusive, deviam usar os oguidavis, de difícil manejo, foram adotando as rezas do Ijexa [...] 

CAMBINDA -  Trata-se de uma Nação Banto, originalmente de fala Kimbudo. O cemitério é o inicio da nação religiosa de cambinda, diz um pai de santo estudioso do batuque. Segundo ele, 
[...] o culto a os eguns nesta Nação é tão forte que dificilmente se encontrará uma casa de religião sem que tenha o devido assentamento de Balé (culto aos egunguns), ou igbalé (casa dos mortos). (Ferreira, 1994:59).
Já para o babalorixá Pernambuco Nogueira, nos rituais de Cambinda que freqüentou no Rio Grande do Sul “jamais ouvimos falar de Inkices. O que sempre foi cultuado foi orixas iorubano”.  (Nogueira, 2001).
Embora, como diz Pernambuco Nogueira, “das origens Cambinda matem apenas o rotulo: o conteúdo no Rio Grande do Sul é todo Ijexá.

NAGÔ -  No dizer de Pernambuco Nogueira, [..] é uma Nação que, tendo sido a origem do culto no Rio Grande do Sul, hoje esta praticamente extinta, restando pouquíssimas casas (idem). No na Nação Nagô a chegada dos orixás se faz como no Candomblé (linha por linha, trabalhando e desincorporando) e a matança é procedida com o animal no chão e não suspenso (idem).

Ao que consta não dispomos de informações numéricas sobre a incidência destas Nações no Rio Grande do Sul. O historia dor Dante de Laytano, em pesquisa realizada sobre o batuque em Porto Alegre, em 1951, observou que as 71 casas por ele encontradas dividiam-se em 24 Nação Nagô, 21 Nação Jeje, 13 Nação Oyó, 8 Nação Ijexá e 5 “mistos” (Laytano,s.d.:53). Na atualidade, porem, predomina no batuque do Rio Grande do Sul o lado Ijexá, “ quer pela facilidade do toque como pela ausência de tamboreiros iniciados nos demais cultos”(Nogueira, 2001b). Embora haja terreiros que se digam seguidores de outros lados, trata-se, segundo o babalorixá Adalberto Pernambuco Nogueira, apenas de rótulos utilizados talvez para marcar origens dos fundamentos(idem).

São os seguintes os principais Orixás cultuados no batuque: Bará, Ogum, Oiá, Xangô, Odé(Otim), Ossanha, Oba, Xapanã, Bêdji, Oxum, Iemanja e Oxalá. Estes representam o conjuntos de elementos vinculados a cada um desses Orixás, segunda a tradição batuqueira Gaúcha.



DOS SANTOS


OS ORIXAS 

“ No camdomblé o Deus criador é, 
Olorum também chamado 
Olodummaré. Ele vem acompanhado
De uma série de outros seres (...) 
Temos os Orixás: o conjunto de 
Entidades que podem se manifestar 
Diretamente com os homens (...)”

“Os Orixás são elementos da natureza, cada orixá representa uma força da natureza”

Quando cultuamos nossos Orixás cultuamos também a força dos elementos oriundas da água, da terra, do ar, do fogo e etc. 
Essa  forças em equilíbrio produzem uma enorme energia (axé), que nos auxilia em nosso dia a dia, ajudando para que nosso destino se torne cada vez mais favorável.
Sendo assim, quando dizemos que adoramos a deuses nos referimos a estarmos adorando as forças da natureza forças esta pertencentes a o grande Pai. Pai este conhecido por nos como Ôlorum (Deus supremo).
No Brasil erroneamente diz-se que Oxalá é o Pai maior. Na verdade Oxalá é o mais velho e respeitado entre os Orixás.
A grande maioria das nações áfrica anterior a era cristão, conheciam a existência de Ôlorum como grande criador ser fundamental.
Acreditamos que nosso Deus (é o todo). É o todo é a natureza ( animais, vegetais , homem, plantas e etc).
Ôlorum esta acima da vaidade pessoa e de religiões que buscam sempre monopolizar seu poder.
Como já víamos comentado nosso panteão nada mais é que a junção da energia de todos os elementos da natureza, cada elemento da natureza é pornôs representado por um Orixá.
Aprendemos a sentir e manipular estas energia individualmente através de cada Orixá, os filhos (iawos) nascidos sobre a influencia dos Orixás de tem mais energia do seu influente que os filhos de outros Orixás.
Exemplos: os filhos de Ossaim possuem mais energia voltada para folhas e plantas do que os filhos de Oxum que são mais voltados a magia. 
Em resumo, quase todos os Orixás tiveram uma curta passagem pelo nosso mundo, após fatos heróicos ou divinos encantaram-se e retornaram a orum (céu) deixando para nos segredos e ensinamentos encurtando a ligação do espiritual com o material. Ligação esta que preservamos e não usamos  só para nos, mas também para as pessoas que nos procuram, mesmo sem ter ligação direta com a religião.
Em nossa religião é fundamental a integração com a natureza, quanto maior contato com a natureza maior será seu desenvolvimento sua energia seu axé e , portanto maior será o cordão (o elo) de ligação com seu  Orixá nos aproximando mais de Ôlorum (Deus criador)  





COMO JÁ MENSIONAMOS OS ORIXAS SÃO FORÇA DA NATUREZA E
CUIDAR DA PRESERVAÇÃO DELA É O DEVER DE TODO RELIGOSO.



OFERENDA E DESPACHO.

Material a ser Usado.

Gostaríamos que os dirigentes de nossa Casas (Babalixas, Yalorixá, Sacerdote de Umbanda), passassem a orientar a confecção de suas oferendas, despacho, entregas e etc. Com a utilização de materiais biodegradáveis, evitando-se o uso de plásticos, vidros e outros elementos de difícil absorção pela natureza.

É sabido que a colocação de tais trabalhos no reino correspondente a cada Orixá, Guia ou Protetores destinasse a devolver novamente a natureza os materiais ofertado a eles, e absorção por ela tem que acontecer no menor espaço de tempo para não causar malefício ao eco sistema, como exemplo: poluição, polífleração e etc. E por este motivo que temos que evitar o uso de plásticos, vidros digo perfume, garrafa ou semelhante de difícil decomposição e absorção pelo meio ambiente.

Assim sendo, o já quase esquecido hábito praticado por nossos ancestrais, de colocarem os trabalhos sobre folhas de mamona ou mesmo bananeira, formando uma espécie de bandeja natural parece-nos o ideal para mantermos a proteção a natureza e não agredimos nossos axere.

    
Orixá Bará  

Bará, é o senhor dos caminhos, caminhos que levam e trazem as pessoas se encontrarem ou se distanciarem-se. È quem faz com que os ritos sejam cumpridos, principal responsável pela ligação do mundo espiritual ao mundo material, (orun-ayé). Entre dois caminhos lá está ele, guardando, indicando. Não se faz nada pelo Candomblé antes de agradar a Bará. Pois é o único Orixá que faz o elo de ligação entre nos e os outros Orixás.

Bará é um Orixás tão importante quanto todos os outros Orixás. Por ser mais ligado com o mundo terrestre, possui certos costumes e temperamentos parecidos com os dos seres humanos. Bará é erradamente sincretizado pelo catolicismo como o diabo cristão.
Por ser um Orixá que cuida dos caminhos onde percorre homens, orixás, espíritos e etc. E sendo o elo de ligação entre estes mundos, eles possuem múltiplos contraditórios, sendo bom e mau, astuto, grosseiro, indecente, protetor, alegre, brincalhão, violento e etc. Ou seja, é o Orixá mais humanizado de todo panteão, pois em seu arquétipos incluem-se as impurezas causadas ou existentes nos homens.
Devido a este aspecto, foi sincretizado pelos primeiros missionários, como o diabo cristão.


Lendas: 
Todos os orixás possuem muitas lendas, passadas de boca em boca durante milhares de anos. Citamos aqui uma lenda referente a Elegbará.
Uma mulher que esqueceu de alimentar Exu. Se encontrou no mercado vendendo os seus produtos. Exu põe fogo na sua casa, ela corre pra lá, abandonando seu negócio. A mulher chega tarde, a casa está queimada e, durante esse tempo, um ladrão levou sua mercadorias.
Nada disso teria acontecido se ela tivesse feito a exu as oferendas e os sacrifícios usuais.
LOCAIS INADEQUADO:

Assim como existe locais propícios  a entrega de oferendas a locais inadequados  e até mesmo inaptos por não reunirem as qualidades necessárias no campo vibratório. Entre estes podemos citar as ruas calçadas, templos, escolas, creches, estabelecimentos comercial e industrias, repartição públicas, ou seja, todos os locais de grande influencia de publico e, em especial, de crianças que por curiosidade venha a se colocar em contato com os trabalhos.
É vidente que a colocação de animais sacrificado deve ser banida destes locais  e de outros onde sua presença venha chocar os leigos, e ainda provoca-lhe temor ou repulsa. Devemos considerar que vibrações negativas só poderão ocasionar situação prejudicial ao efeito desejado para o trabalho ali despachado.
Devemos, pois, procurar locais mais afastados do perímetro urbano, pouco movimentado, dando preferência a estradas de chão batido encontrado facilmente na zona rural. O que fará que o material da oferenda seja facilmente absorvido pela natureza, não causar transtorno e nem aversão a leigos. Alem do mais o ofertório será melhor recebido pela entidade pelo esforço realizado em encontrar um local plausível e aptos a o trabalho religioso.

ORIXÁ OGUM 
  
A Divindade masculina, figura que se repete em todas a formas conhecida da mitologia universal. Ogum é o arquétipo do guerreiro. Bastante cultuado no Brasil, especialmente por ser associado à luta, à conquista, é a figura do astral que, depois do Bará, está mais próxima dos seres humanos. Foi uma das primeiras figuras do Candomblé incorporada por outros cultos. Tem sincretismo religioso com São Jorge, tradicional guerreiro dos mitos católicos, também lutador, destemido e cheio de iniciativa. 
É pois, o símbolo do trabalho, da atividade criadora do homem sobre a natureza, produção e da expansão, da busca de novas fronteiras, de esmagamento de qualquer força que se oponha a sua própria expansão.





Lenda:

Ogum foi consultar Ifá pois queria saber como poderia se tornar rei de sua aldeia, e Ifá lhe indicou que fizesse uma oferenda. Passando algum tempo e não tendo Ogum conseguido o que queria, ele retornou a Ifá, recomendou que fizesse a oferenda. Depois, deveria esperar a próxima chava e procurar um lugar que a água tivesse escavado o aterra. Ali deveria pegar a negra areia fina resultante da erosão e coloca-la no fogo.
Ogum fez a oferenda e queimou a areia, que, para sua surpresa, se transformou em ferro depois de esfriar. Era o material, mais duro que ele conhecia, mas era maleável enquanto quente. Primeiro Ogum forjou uma tenaz com o ferro. Agora seria mais fácil de manejar a massa incandescente e forja outras ferramentas. É ele assim fez. 
Com a ferramenta de Ogum a vida material ficou mais fácil, e todos prosperaram. Já se podia derrubar uma mata e arar a terra  mais facilmente. Tudo graças a ferramenta de Ogum.
Daquele época em diante, Ogum ficou conhecido com Ogum algbedè, o ferreiro, e prosperou muito. Era Aquele que Transformou terra em dinheiro. 


Conservando a Natureza Uso de Bebidas.


Devemos frisar que trabalhos colocados em cruzeiros de rua e que encontramos na maior parte das vias públicas destinam-se, em sua maioria, a Exu. Embora boa parte de nossas oferendas é habito a oferta de bebidas no sentido d potencializar a sua força vibratória. Neste casos são os que inadvertidamente fazem-lo e deixado-as dentro do vasilhame de origem ou colocando-as dentro de taças ou copos. Esta atitude se torna prejudicial tanto, tanto pelo fato que o vasilhame podem ser plástico ou devido nocivos ao meio ambiente, no caso da garrafa de vidro quebrar pode acontecer até um acidente com uma pessoa ou criança que venha a trafegar pelo local. A bebida quando derramada no axeré (local) da oferenda libera imediatamente seus fluidos possibilitando a rápida utilização pela entidade a que se destina, estas trabalhão com fluidos. 
Assim sendo devemos colocar a bebida ao redor da oferenda vertendo-a, guardando o vasilhame que após será retirada do local.
Com estes cuidados preservaremos a limpeza do local de entrega de oferenda lugar este para nos sagrado. Alem de respeitar as regras estabelecida por nossos antepassados que diziam orixá não como vidro e muito menos plástico.  


Oya e Iansã

Orixá dos ventos e das tempestades, foi esposa de Ogum, o qual deixou por amor a Xangô; dos Orixás femininos é a mais guerreira; Iansã é associada a sensualidade. Tanto acompanhou Ogum quanto Xangô em suas batalhas, é a dona das relações sexuais. Certas Insãs são ligadas ao culto dos eguns (espíritos dos mortos), é o Orixá que comanda o Balê junto com Xangô.


Lenda:

Era uma vez um grande caçador, líder de todos os caçadores. Ele adotou como filha uma menina de nome Oya, esperta e ágil. Ela se tornou muito querida do grande caçador e ficou muito conhecida pelo povo do lugar. 
Chegou o dia que o grande caçador morreu, o que deixou sua filha muito triste. Oya quis homenagear o pai morto. Enrolou os instrumento de caça do pai em um pano. Preparou os pratos de que ele mais gostava. Durante sete dias, dançou e cantou em homenagem ao pai, chamando a atenção dos caçadores do local. Na sétima noite, seguida pelos caçadores, Oya entrou pela mata e depositou as coisa do pai ao pé de uma arvore sagrada.
Olorum, que tudo vê, ficou muito tocado com a filha adotiva do caçador e a ela  deu o poder de guiar os morto até o òrun, o céu. Transformou o Caçador em Orixá e Oya na senhora dos reinos dos mortos.
Dês de então, quando alguém morre, é Oya quem o leva para o òrun, mas não sem antes ser devidamente homenageada pelos entes que ficam na terra.


Entrega e Levantamento de Oferenda ou Trabalhos:

Como falamos o trabalho deve ser entregue no reino da entidade (axeré natural), para os quais de destinam, de preferência sobre aterra dependendo do Orixá ou Entidade a ser ofertada. Em todos os casos deve procurar um local pouco habitado e sem transito de pessoas. O ato de entrega do trabalho ou oferenda deve ser revestido de todo cerimonial, inclusive com entoação de rezas ou pontos destinado a o Orixá ou Entidade recebedora do ofertório em questão, com toda seriedade, solenidade e apresso que merecem dentro e fora de seu axere (reino).
Caso já tenham sido areadas a frente do peje ou congas em estado de vibração o contato com a natureza é o suficiente para sua aceitação e a partir daquele momento perdem seu valor místico, podendo ser manuseada por qualquer pessoa, mesmo as leigas sem perigo algum. 
Desta maneira podemos dividir o trabalho em duas partes:

1. A entrega vibratória aos Orixás, Guias e Protetores a frente do Peje ou Congal. Ficando em estado vibratório o tempo necessário;

2. A entrega nos axere (reinos) da natureza onde os elementais se incumbirão de absorver os resíduos vibratórios incumbindo se a natureza de reincorporar o restante.   

Assim sendo, uma vez procedida a entrega, dada impede que seja feita a limpeza do local sem maiores riscos para quem o fizer.


ORIXA XANGÔ:

Deus do raio, do trovão, da justiça e do fogo. É um Orixá temido e respeitado, é viril e violento, porém justiceiro. Costuma-se dizer que Xangô castiga os mentirosos, os ladrões e malfeitores. Seu símbolo principal é o machado de dois gumes e a balança, símbolo da justiça. Tudo que se refere a estudos, justiça, demandas jurídicas, ao direito, contrato pertencem a Xangô. 

Lenda:

Xanô era rei de Oyó, terra de seu pai, já sua mãe era da cidade de Empê, no território de Tapa. Por isso, ele não era considerado filho legitimo da cidade. A cada comentário maldoso Xangô cuspia fogo e saltava faíscas pelo nariz. Andava pelas ruas da cidade com seu oxé, um machado e, com seu olhar certeiro, encontrava o ladrão onde quer que estivesse. 
Para continuar reinando Xangô defendia com bravura sua cidade; chegou até a destronar o próprio irmão, Dada, de uma cidade vizinha para ampliar seu reino. Com o prestigio conquistado, Xangô ergueu um palácio com cem colunas de bronze, no alto da cidade de Kossô, para viver com suas três esposas: Oyá (Iansã), a amigo Oxum e a coquete e faceira Oba, amorosa e prestativa.
Para seguir com suas conquistas, Xangô pediu ao babalaô de Oyó uma fórmula para aumentar seus poderes; este lhe entregou uma caixinha de broze, recomendando que só fosse aberta em caso de estrema necessidade de defesa. Curioso, Xangô contou a Oya o ocorrido e ambos, não se contendo, abriram a caixa antes do tempo. Imediatamente começou a relampejar e trovoar, os raios destruíram o palácio e a cidade, matando toda a população. Não suportando tanta tristeza, Xangô afundou terra a dentro, retornando ao orum.

Instrumento de percussão em rituais religiosos.

Os toques de tambores em sessões apresentam-se como uma da maiores fontes de queixas e reclamações da parte de vizinhos, especialmente se estes não são adeptos de nossa religião ou se as cerimônias de realizam em dias de semana e se prolonga alem do horário tolerado pela Lei da Perturbação do Sossego Público, mais conhecida como a Lei do Silêncio, principalmente se são utilizados instrumentos de percussão (tambores).

Nestes caso deve ser feita algumas avaliações sobre o tipo de sessões que são realizadas pelas Casas de Umbanda, Nação ou Candomblé, ou seja, as que usam as que não usam instrumentos. A que não usam podem realizar seus cultos sem maiores problemas. As que usam podem suspender-lo após a 22 horas procedendo-se ao encerramento sem a necessidade de tambores. Os Guias de Luz saberão compreender que tal exigência é fruto de Lei humana e que deve de ser respeitada. No casos de festividades especiais os tambores poderão tocar até mais tarde devendo as casa obter mesma licença a que incluiremos as casa de Nação e Candomblé.

Tal suspensão, contudo, não pode haver nos toques de Nação ou Candomblé, que exigem a vibração dos tambores em todo seu curso. Como esta cerimônia não são freqüentes e sim ocorrem em determinadas épocas do ano, supre-se a desobediência com uma autorização especial, concedida pelo órgão federativo que entrara em contato com o Poder Publico e autoridades Policiais  através de oficio obtendo as devidas autorizações. Evidentemente que há de haver um relacionamento muito bom com a vizinhança para que tudo transcorra em perfeita ordem.
Desejando evitar constrangimentos maiores com os vizinhos, decorrente de denuncias de queixas de vizinha. As casas podem se valer de um isolamento acústico de custo relativamente baixo. Este seria, a nosso ver, o caminho ideal para a tranqüilidade dos trabalhos.

Outro fator preponderante para evitarem-se queixas o de anteciparmos o inicio dos toques de Nação, em geral marcado para às 24 horas o que levaria o seu término para às 7 horas da manhã. A antecipação em nada influirá no bom andamento dos trabalhos, eis que o inicio dos trabalhos tarde da noite, é fruto ainda da escravidão quando os escravos somente poderiam cultuar seus orixás quando os moradores da casa grande já estivessem repousando.


Uso de Velas 

Todas as nossa oferendas são acompanhadas de velas que devem ser acesas como focos catalisadores da vibração dos orixás. Guias ou Protetores a que se destinam e isto requer, de nossa parte o maior cuidado na sua colocação a fim de evitar acidentes lamentáveis e que depõem contra nossa religião. 
Ao entregarmos uma oferenda devemos, antes, analisarmos o local escolhido, limpa-lo e fixar as velas de forma a que não caiam evitando-se assim queimadas ou incêndios, em alguns casos pode-se fazer uma vala ao redor da oferenda para evitar acidentes e possível propagação de incêndios no caso de matas e campos. Jamais devemos colocar velas junto a raízes de arvores, e muito menos em seus ocos, o que é muito comum para protege-las do vento. Estas praticas já foram motivos de destruição de arvores centenárias e de raras espécies o que evidentemente não é do agrado dos orixás, podendo desperta sua ira. 
Este aliais, é um dos motivos por que se condena o uso de bandejas,copos entre outros materiais de plástico nas oferendas; alem de sua difícil e demora absorção pela natureza, oferece graves riscos devido a ser uma extraordinário propagador do fogo. Uma mesa para os Orixás, Guias e Protetores montada sobre uma toalha de plástico, por mais bela que esta seja, e cercada de velas é um verdadeiro barril de pólvora quando colocada em uma mata.  
O pejes (quarto de santo) e congal (altar de imagens) se orienta que seja construido de alvenaria sem a utilização cortinas pois, muitos terreiros ou templos são consumidos pelo fogo, iniciado por velas.
Edé e Otim

Odé 
Odé é o orixá das matas e florestas onde vive a caçar; é o protetor dos caçadores; seus filhos são espertos, rápidos e atentos, tomam conta de um lar perfeitamente, buscando tudo para alimentar seus dependentes. Qualquer expedição que envolva caça, é bom oferendar Odé para obter bons resultados.
Este Deus representa a fartura das matas, seu símbolo é o arco e flecha, sua cor é o azul marinho, seu dia da semana é segunda-feira, seu sincretismo no sul é com São Sebastião.

Otim 
Orixá que acompanha Odé, vive no mato a caçar junto com seu companheiro, come toda espécie de caça. Junto com Odé também é dona da pontada pneumonia, no Brasil esta iyaba é muito pouco cultuada; Aqui no Rio Grande do Sul o culto á Otim ainda se mantém e quase todos sacerdotes tem os assentamentos de Otim entre seus Orixás, mas mesmo assim é raro ver filhos de Otim.
Lenda 

Orixá da Caça e da Fartura!
Em tempos distantes, Odùdùwa, Rei de Ifé, diante do seu Palácio Real, chefiava o seu povo na festa da colheita dos inhames. Naquele ano a colheita havia sido farta, e todos em homenagem, deram uma grande festa comemorando o acontecido, comendo inhame e bebendo vinho de palma em grande fartura. De repente, um grande pássaro, (èlèye), pousou sobre o Palácio, lançando os seus gritos malignos, e lançando fardas de fogo, com intenção de destruir tudo que por ali existia, pelo fato de não terem oferecido uma parte da colheita as feiticeiras Ìyamì Òsóróngà. Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes. O Rei então mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas, em Ilarê, que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas investidas, desperdiçando suas 50 flechas. Chamou desta vez, das terras de Moré, Osotogi, com suas 40 flechas. Embriagado, o guerreiro também desperdiçou todas suas investidas contra o grande pássaro. Ainda foi, convidado para grande façanha de matar o pássaro, das distantes terras de Idô, Osotogum, o guardião das 20 flechas. Fanfarrão, apesar da sua grande fama e destreza, atirou em vão 20 flechas, contra o pássaro encantado e nada aconteceu. Por fim, todos já sem esperança, resolveram convocar da cidade de Ireman, Òsotokànsosó, caçador de apenas uma flecha. Sua mãe Iemanjá, sabia que as èlèye viviam em cólera, e nada poderia ser feito para apaziguar sua fúria a não ser uma oferenda, uma vez que três dos melhores caçadores
falharam em suas tentativas. Iemanjá foi consultar Ifá para Òsotokànsosó. Os Babalaôs disseram para Iemanjá preparar oferendas com ekùjébú (grão muito duro), também um frango òpìpì (frango com as plumas crespas) , èkó (massa de milho envolta em folhas de bananeira), seis kauris (búzios). Iemanjá fez então assim, pediram ainda que, oferecesse colocando sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção e que oferecesse em uma estrada, e durante a oferenda recitasse o seguinte: "Que o peito da ave receba esta oferenda". Neste exato momento, o seu filho disparava sua única flecha em direção ao pássaro, esse abriu sua guarda recebendo a oferenda ofertada por Iemanjá, recebendo também a flecha certeira e mortal de Òsotokànsosó. Todos após tal ato, começaram a dançar e gritar de alegria: "Oxósse! Oxósse!" (caçador do povo). A partir desse dia todos conheceram o maior guerreiro de todas as terras, foi referenciado com honras e carrega seu título até hoje.

Ossain 

Divindade das folhas medicinais e liturgias, detentor do axé (força, poder e vitalidade). Seu símbolo é uma vara de ferro com sete pontas dirigidas para cima, com a imagem de um pássaro na ponta central. Dono do segredo e das folhas, é considerado o médico do candomblé e da nação, sua importância é tão fundamental, que nenhuma cerimônia pode ser feita sem a sua presença. 

Lenda 

  Ossain era o filho caçula de Yemanja e Oxalá e, desde pequeno, vivia no mato. Tinha uma habilidade especial para tratar qualquer doença, por isso viajava pelo mundo inteiro, sendo sempre recebido com carinho pelo rei de cada tribo. Ele recebeu de Olodumaré o segredo das folhas; assim sabia qual delas curava doenças, trazia vigor ou deixava as pessoas mais calmas. Os outros orixás invejavam o irmão, pois não tinham este poder e dependiam de Ossain para ter sucesso. Ele cobrava por qualquer trabalho, aceitando mel, fumo e cachaça como pagamento pelas curas que realizava. Xangô que era temperamental, não admita depender dos serviços de Ossain, e por isso pediu a sua esposa Iansã, orixá que domina os ventos, para que as folhas voassem em direção a todos os orixás, para que cada qual exercesse domínio sobre uma delas. Em meio a ventania, Ossain repetia sem parar: “eu eu assa!”, que significa “ho, folhas!”. E com este tipo reza, embora cada orixá tenha se apossado de uma folha, Ossain evitou que seu poder fosse distribuído entre os irmão, pois só ele conhecia o axé de cada uma delas e o segredo de pronunciar estas palavras de maneira a conservar o poder sobre elas. Com sua sabedoria, até hoje Ossain permanece o rei da floresta, sendo considerado o orixá da medicina. 



Oba Orixá do rio Níger, terceira mulher de Xangô. Orixá, embora feminina, temida, forte, energética, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos. OBÁ Divindade feminina, guerreira que às vezes é também citada como caçadora. Irmã de Óya (Iansã). Esposa de Ogum e, posteriormente, terceira e mais velha mulher de Xangô.
Bastante conhecida pelo fato de ter seguido um conselho de Oxum e decepado a própria orelha para preparar um ensopado para o marido na esperança de que isto iria fazê-lo mais apaixonado por ela. Quando manifestada, esconde o defeito com a mão. Seus símbolos são uma espada (idà) e um arco e flecha (ofá). Sua saudação é OBA XÍ ou ÖBA XIRE

LENDA
Orixá guerreira e das águas revoltas !!! 

Obá vivia em companhia de Oxum e Oyá (Iansã), no reino de Oyó, como uma das esposas de Xangô, dividindo a preferência do reverenciado Rei entre as duas Iyabas (Orixás femininos). 

Obà percebia o grande apreço que Xangô tinha por Oxum, que mimosa e dengosa, atendia sempre a todas as preferencias do Rei, sempre servindo e agradando aos seus pedidos. Obà resolveu então, perguntar para Oxum qual era o grande segredo que ela tinha, para que levasse a preferencia do amor de Xangô, vez que Oyá, andava sempre com o Rei em batalhas e conquistas de reinados e terras, pelo seu gênio guerreiro e corajoso e Obà era sempre desprezada e deixada por último na lista das esposas de Xangô. 

Oxum então, matreira e esperta, falou que seu segredo era em como preparar o amalá de Xangô principal comida do Rei, que lhe servia sempre que deseja-se bons momentos ao lado do patrono da justiça. Obà, como uma menina ingênua, escutou e registrou todos os ingredientes que Oxum falava e que eram de extrema importância para a realização de tal culinária, sendo que por fim Oxum, falou que além de tudo isso, tinha cortado e colocado uma de suas orelhas na mistura do amalá para enfeitiçar Xangô. 

Obà agradeceu a sinceridade de Oxum e saiu para fazer um amalá em louvor ao Rei, enquanto Oxum, ria da ingenuidade de Obà que, sempre atenta a tudo, não percebeu que Oxum mentira, pois ela encontrava-se com suas duas orelhas, e falará isso somente para debochar de Obà. Obà em grande sinal de amor pelo seu Rei, preparou um grande amalá, e por fim cortou uma de suas orelhas colocando na mistura e oferecendo à Xangô como gesto de seu sublime amor. 

Xangô ao receber a comida, percebeu a orelha de Obà na mistura, e bravejou e gritou, e expulsou Obà do reino de Oyó, sem por fim nem explicação considerar. Obà triste e desiludida, fugiu para bem longe e nunca mais voltou aos domínios de Xangô, tendo hoje em dia, como sua arqui-rival em todos os candomblés do Brasil e do mundo, e até hoje quando manifestadas em seus iaôs elas dançam simbolizando uma luta.



Xapanã ou Obaluaiyê 

Obalaluaiyê quer dizer: “rei e dono da terra” sua veste é palha da costa  e esconde o segredo da vida e da morte. Está relacionado a terra quente e seca,como o calor do fogo e do sol – calor que lembra a febre das doenças infecto-contagiosas. Domina completamente as doenças que rege. Ao mesmo tempo em que as causa, tem poder de cura sobre elas.



Lenda:

Nanã era considerada a deusa mais guerreira de Daomé. Um dia, ela foi conquistar o reino de Oxalá e se apaixonou por ele. Ma este não queria se envolver com outra Orixá que não fosse sua amada esposa Yemanjá. Por isso, explicou tudo a Nanã, mas ela não se fez de rogada. Sabendo que Oxalá adorava vinho de palma, embriagou-o.  Ele ficou tão bêbado que se deixou seduzir por Nanã, que acabou ficando grávida. Mas por ter transgredido uma lei da natureza, deu a luz a um menino horrível, não suportando vê-lo, lanço-o no rio. A criatura foi mordida por caranguejos, ficando toda deformada. Por sua terrível aparência passou a viver longe dos outros orixás. 
De tempo em tempo os orixás se reunião para uma festa. Todos dançavam, menos Obaluaiyê, que ficava espreitando da porta, com vergonha de sua feiúra. Ogum percebeu o que acontecia e, com pena, resolveu ajuda-lo, transando uma roupa de mariwo – uma espécie de fibra de palmeira – que lhe cobriu todo o corpo. Com este traje ele voltou a festa e despertou a curiosidade de todos, que queriam saber quem era o Orixá misterioso. Yansã, a mais curiosa de todas, aproximou-se, e neste momento, formou-se um turbilhão e o vento levantou a palha, revelando um rapaz muito bonito. Desde então os dois orixás vivem juntos, e os dois passaram a reinar, sobre os mortos.


Ibêje – Ìbeji

Ibejis são divindades gêmeas infantis, é um Orixá duplo e tem seu próprio culto, obrigações e iniciações dentro do ritual. Divide-se em masculino e feminino, (gêmeos). No oyó cultua-se com erês ligado a qualidade de Xangô e Oxum. Popularmente conhecidos como Xangô e Oxum de Beji.
Os orixás gêmeos protegem os que ao nascer perdem um irmão (gêmeo), ou tiveram problema de parto. Em algumas casas de candomblé e batuque são referidos como erês (crianças) que se manifestam após a chega dos orixás chamados de axé erês ou axêros. Em outros são cultuados como Xangô ou Oxum criança. Porém na verdade são orixás independentes dos erês. 
Por serem gêmeos são ligados a dualidade e de tudo que vai nascer, brotar e criar.

Lenda.

Existiam num reino dois pequenos príncipes gêmeos que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles; em troca, pediam doces balas e brinquedo. Esses meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, brincando próximos a uma cachoeira, um deles caiu no rio e morreu afogado. Todos do reino ficarão muito tristes pela morte do príncipe. O gêmeo que sobreviveu não tinha mais vontade de comer, e vivia chorando de saudades do seu irmão, pedia sempre a Orumilá que o levasse para perto do irmão. sensibilizado pelo pedido, Orumilá resolveu leva-lo para se encontrar com o irmão no céu, deixando na terra duas imagens de barro. Desde então, todos que precisão de ajuda deixam oferendas aos pés destas imagens para ter seus pedidos atendidos.  


OXUM


Conta-nos uma lenda, que Oxum queria muito aprender os segredos e mistérios da arte da adivinhação, para tanto, foi procurar Elegbará.

Elegbara, muito matreiro, falou à Oxum que lhe ensinaria os segredos da adivinhação, mas para tanto, ficaria Oxum sobre os domínios de Elegbará durante sete anos, passando, lavando e arrumando a casa do mesmo, em troca ele a ensinaria.

E, assim foi feito, durante sete anos Oxum foi aprendendo a are da adivinhação que Elegbará lhe ensinará e conseqüentemente, cumprindo seu acordo de ajudar nos afazeres domésticos na casa de Elegbará. Fim dos sete anos, Oxum e Elegbará, tinham se apegado baste pela convivência em comum, e Oxum resolveu ficar em companhia desse Orixá.

Em um belo dia, Xangô que passava pelas propriedade de Elegbará, avistou aquela linda mulher que penteava seus lindos cabelos a margem de um rio e de pronto agrado, foi declarar sua grande admiração para com Oxum.

Foi-se a tal ponto que Xangô, viu-se completamente apaixonado por aquela linda mulher, e perguntou se não gostaria de morar em sua companhia em seu lindo castelo na cidade de Oyó. Oxum rejeitou o convite, pois lhe fazia muito bem a companhia de Elegbará.
Xangô então irritado e contrariado, seqüestrou Oxum e levou-a em sua companhia, aprisionando-a na masmorra de seu castelo. Elegbará, logo de imediato sentiu a falta de sua companheira e saiu a procurar por toda as regiões, pelos quatro cantos do mundo sua doce mulher de anos de convivência.
Chegando nas terras de Xangô, Elegbará foi surpreendido por um canto triste e melancólico que vinha da direção do palácio do Rei de Oyó, da mais alta torre. Lá estava Oxum, triste e a chorar por sua prisão e permanência na cidade do Rei.

Elegbará, esperto e matreiro, procurou a ajuda de Òrùnmílá, que de pronto agrado lhe cedeu um poção de transformação para Oxum desvencilhar-se dos domínios de Xangô. Elegbará, através da magia pode fazer chagar as mãos de sua companheira a tal porção. Oxum tomou de um só gole a porção mágica e transformou-se em uma linda pomba dourada, que voou e pode então retornar para companhia de Elegbara para sua morada.

OXUM

Nome de um rio na Nigéria, em Ijexá e Ijebú. Segunda mulher de Xangô, Orixá do ouro, riqueza e do amor. A Oxum pertence ao ventre da mulher e ao mesmo tempo controla a fecundidade, por isso as crianças lhe pertencem. Dona dos rios e cachoeiras gosta de usar colar, jóias, tudo relacionado à vaidade, perfumes, etc. 


Iemanjá

Deusa da Nação de Egbé, nação esta Iorubá onde existe o rio Yemoja (Iemanja). No Brasil, rainha das águas e mares. Orixá muitos respeitada e cultuada é tida como mãe de quase todos os Orixás. Por isso a ela também pertence a fecundidade. 

Em todos os lugares, no dia 02 de fevereiro ou no ano novo fazem-se homenagens a grande mãe Iemanjá. É protetora dos pescadores e jangadeiros.

Lenda.

Iemanjá era filha de Olokum, deus (em Benim) ou deusa (em Ifé) do mar. Iemanjá foi casada co Orumilá, deus da adivinhação mais tarde caso com Olofin, rei de Ifê, com quem teve 10 filhos que correspondem a Orixás. 
Iemanjá fogem em direção ao Oeste, pois se cansara de Ifê. Olokum lhe dera uma garrafa com tendo um preparado para usar se precisasse, ela deveria quebrar somente em caso de estremo perigo. 

Iemanjá foi viver no entardecer da terra, o oeste Olofin Odùdua, rei de Ifê, põem todo o seu exercito a procura de sua mulher. Iemanjá cercada resolve quebra a garrafa com forme lhe foi dito. No mesmo instante criou-se um rio levando Iemanjá para Olokum, o oceano, lugar onde vive Olokun.
Por isso Iemanjá é representada na imagem com grandes seios, simbolizando a maternidade e a fecundidade. 

Oxalá

Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Apresenta-se de duas maneiras: moço – chamado Oxaguiam, e velho – chamado Oxalufam. O símbolo do primeiro é uma idá (espada), o do segundo é uma espécie de cajado em metal, chamado ôpá xôrô. A cor de Oxaguiam é o branco levemente mesclado com azul, do de Oxalufam é somente branco. O dia consagrado para ambos é a sexta-feira. Sua saudação é ÈPA BÀBÁ ! Oxalá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Orixás do Panteão Africano. Simboliza a paz é o pai maior nas nossas nações na Religião Africana. É calmo, sereno, pacificador, é o criador, portanto respeitado por todos os Orixás e todas as nações. A Oxalá pertence os olhos que vêem tudo (Oxalá de Orumilaia dono da visão no jogo de búzios). 

LENDA
Olodumaré entregou a Oxalá o saco da criação para que ele criasse o mundo. Porém essa missão não lhe dava o direito de deixar de cumprir algumas obrigações para outros Orixás e Bará, aos quais ele deveria fazer alguns sacrifícios e oferendas. 
Oxalá pôs a caminho apoiado em um grande cajado, o Paxorô. No momento em que deveria ultrapassar a porta do além, encontrou-se com Bará que, descontente porque Oxalá se negara a fazer suas oferendas, resolveu vingar-se provocando em Oxalá uma sede intensa. Oxalá não teve outro recurso senão o de furar a casca de um tronco de um dendezeiro para saciar a sua sede. 
Era o vinho de palma o qual Oxalá bebeu intensamente, ficou bêbado, não sabia onde estava e caiu adormecido. Apareceu então Olófin Odùduà que vendo o grande Orixá adormecido roubou-lhe o saco da criação e em seguida foi a procura de Olodumaré, para mostrar o que teria achado e contar em que estado Oxalá se encontrava.
Olodumaré disse então que “se ele esta neste estado vá você a Odùduà, vá você criar o mundo”. Odùduà foi então em busca da criação e encontrou um universo de água, e aí deixou cair do saco o que estava dentro, era terra. Formou-se então um montinho que ultrapassou a superfície das águas. 
Então ele colocou a galinha cujos pés tinham cinco garras. Ela começou a arranhar e a espalhar a terra sobre a superfície da água, onde ciscava cobria a água, e a terra foi alargando cada vez mais, o que em Ioruba se diz IlE`nfê expressão que deu origem ao nome da cidade Ilê Ifê. 
Odùduà ali se estabeleceu, seguido pelos outros Orixás e tornou-se assim rei da terra.
Quando Oxalá acordou, não encontrou mais o saco da criação. Despeitado, procurou Olodumaré, que por sua vez proibiu, como castigo a Oxalá e toda sua família, de beber vinho de palma e de usar azeite de dendê. Mas como consolo lhe deu a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos nos quais ele, Olodumaré insuflaria a vida.  Capacidade 

Um dia Oxalufam, que vivia com seu filho Oxaguiam, velho e curvado por sua idade avançada, resolveu viajar a Oyó em visita a Xangô, seu outro filho. Foi consultar um babalaô para saber acerca da viagem. O adivinho recomendou-lhe não seguir viagem. Ela seria desastrosa e acabaria mal. Mesmo assim, Oxalufam, por teimosia, resolveu não renunciar à sua decisão. O adivinho aconselhou-o então a levar consigo três panos brancos, limo-da-costa e sabão-da-costa, assim como a aceitar e fazer tudo que lhe pedissem no caminho e não reclamar de nada, acontecesse o que acontecesse. Seria uma forma de não perder a vida.
Em sua caminhada, Oxalufam encontrou Bará três vezes. Três vezes Bará solicitou ajuda ao velho rei para carregar seu fardo, que acabava derrubando em cima de Oxalufam. Três vezes Oxalufam ajudou Bará, carregando seus fardos imundos. E por três vezes Bará fez Oxalufam sujar-se de azeite de dendê, de carvão, de caroço de dendê. Três vezes Oxalufam ajudou Bará. Três vezes suportou calado as armadilhas de Bará. Três vezes foi Oxalufam ao rio mais próximo lavar-se e trocar suas vestes. Finalmente chegou a Oyó. Na entrada da cidade viu um cavalo perdido, que ele reconheceu como o cavalo que havia presenteado a Xangô. Tentou amansar o animal para amarrá-lo e devolvê-lo ao filho. Mas neste momento chegaram alguns súditos do rei à procura do animal perdido. Viram Oxalufam com o cavalo e pensaram tratar-se do ladrão do animal. Maltrataram e prenderam Oxalufam. Ele, sempre calado, deixou-se levar prisioneiro. Mas, por estar um inocente no cárcere, em terras do Senhor da Justiça, Oyó viveu por longos sete anos a mais profunda seca. As mulheres tornaram-se estéreis e muitas doenças assolaram o reino. Xangô desesperado, procurou um babalaô que consultou Ifá, descobrindo que um velho sofria injustamente como prisioneiro, pagando por um crime que não cometera. Xangô correu para a prisão. Para seu espanto, o velho prisioneiro era Oxalufam. Xangô ordenou que trouxessem água do rio para lavar o rei. O rei de Oyó mandou seus súditos vestirem-se de branco. E que todos permanecessem em silêncio. Pois era preciso, respeitosamente, pedir perdão a Oxalufam. Xangô vestiu-se também de branco e nas suas costas carregou o velho rei. E o levou para as festas em sua homenagem e todo o povo saudava Oxalá e todo o povo saudava Xangô. Depois Oxalufam voltou para casa e Oxaguiam ofereceu um grande banquete em celebração pelo retorno do pai. Assim, todos os acontecimentos tristes acabaram num piscar de olhos, voltando a normalidade.


UMBANDA DIVINA

Como toda religião, foi previamente estabelecida no plano espiritual para ser implantada no plano material  (Terra entre os homens), unindo de cada uma já existente. Devendo levar aos homens o conhecimento, amor, caridade, e servindo-se de instrumento de coibição restringindo a violência, ampliando desta maneira a fé e proporcionando uma evolução mais rápida no plano da espiritualidade. Tornando o homem à sua origem e religando-o à sua ancestralidade, voltando-o para os altos e para os caminhos divinos através de sua doutrina e dogma religioso.
Etimologicamente podemos afirmar que a Umbanda é uma religião espiritual, brasileira, do século XX, com ritual afro-ameridio e oriental, vindo de diversos paises e constituída de uma escola de evolução espiritual através da encarnação. A Umbanda se divide em sete linhas e sete cores de representação.
Teve sua introdução mais intensa, proporcionando a divulgação necessária, com a manifestação mediúnica de Zélio de Moraes em 14 de novembro de 1908, em São Gonçalo das Neves, próximo a Niterói, Rio de Janeiro. Onde em uma mesa Kardesista foi atendido pelo senhor José de Souza, médium vidente, então presidente da Federação Kardecista de Niterói. Naquele momento manifestou-se em Zélio o caboclo das Sete Encruzilhadas ao qual lhe foi perguntado o que desejava ali e quem era, dando como resposta que era apenas um caboclo brasileiro, e dizendo a seguir:

Se é preciso que eu tenha um nome digam que eu sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois não haverá caminho fechado para mim, Deus, em Sua infinita misericórdia estabeleceu na morte o grande nivelador universal. Ricos e pobres, poderosos ou humildes, todos se tornam iguais na morte, mas vocês, preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar estas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Porque não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas importantes, também trazem importantes mensagens do além? Porque o não aos Caboclos e Pretos Velhos, acaso não foram eles também filhos do mesmo Deus?

E a seguir instruiu que tendo em vista determinação do superior plano astral instituiria-se a partir dali e de seu próprio médium uma nova religião e que no dia seguinte gostaria que na casa de Zélio houvesse uma mesa posta e toda e qualquer entidade que quisesse se manifestar independente dos títulos obtidos na Terra, ali poderiam falar, e que, todos seriam ouvidos e eles aprenderiam com  aqueles espíritos que soubessem mais e ensinariam àqueles que soubessem menos e que a nenhum viraram as costas e que a todos aquela casa prestaria o bem e a caridade.
Desta forma muitos médiuns que por receberem manifestações mediúnicas de Caboclos e Pretos Velhos e que acabaram por serem expulsos de muitas casas dirigiram-se naquela da à casa de Zélio.

Foi assim que aquele menino de apenas dezessete anos, sem entender direito o que estava acontecendo, viu-se como líder diante de um grupo de pessoas que passaram a seguir as orientações daquele Mentor. Estava então definitivamente divulgada e instalada a Umbanda no Brasil e no mundo. (Texto extraído do Livro “O Guardião Tranca Rua”).
  

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A CAVALGADA DO MORTO

João Carlos de Moura era um homem de respeito, galdério  estimado de grande valor no tradicionalista da cidade de Sapucaia do Sul e arredores. Trovador de renome e ginete em cima do lombo de um cavalo, gostava de animar uma festa tradicionalista com trovas e poesia, era o primeiro a chegar e o ultimo a sair. Festa sem o João Carlos não era festa e terminava cedo e ainda era motivo de falatório.
Um dia sem mais nem menos João foi chamado pelo Padrão do céu, tombando  morto ao solo. Motivo de grande comoção no meio tradicionalista, alguns até diziam que foi chamado meio as pressa no céu para alegrar grande festa.
 O enterro foi digno de um grande padrão tradicionalista. Na véspera do dia que completaria um ano do falecimento de João Carlos Mouro, bateu a saudade no coração dos amigos, que resolveram fazer uma homenagem a ele, que não gostava de tristeza e tinha como companheira a alegria que contagiava a todos. Combinaram de se encontrar na primeiras horas da manhã na frente do CTG Herança Farroupilha de sua estima. Naquela noite os que não passaram em claro, dormiu muito pouco, mesmo os que foram pra casa. Tinham que escolher a melhor bombacha, passas e dobrar bem  lenço do pescoço, lavar e escovar seu cavalo para que tivesse com o pelo brilhando pra fazer bonito na homenagem.  
Já na frente do CTG improvisaram uma missa crioula coisa bonita de se ver, saído em direção casa da viuva do falecido. Chegando-la prestaram todos homenagem a viuva em forma de trova e poesia, todos com o chapéu na mão, a viúva e os filhos choram de emoção e saudade acompanhados muitos cavaleiros que com os olhos firme lutavam para não deixar uma lágrima ou outra cair. Após saíram novamente em cavalgada em direção ao cemitério da cidade para visitar o túmulo do amigo e prestas as homenagem finais e forma de oração. Terminada esta parte todos seguiam até o local combinado pra continuarem as homenagens ao morto.  Festejaram do jeito que o amigo gostava, muito churrasco, bastante cerveja e muita cantoria, trova e poesia até as 20hs.  João Carlos de Moura alegrava ate velório por que no seu iria ser diferente.
 A cavalgada do morto virou tradição na cidade. A 10 anos todos os anos mais de 100 cavaleiros montam  seus cavalos e se encontram na frente do CTG as 8 horas da manhã imprevisão uma missa , a viuva se veste de preto e de prenda, mesmo já com a vida refeita com outro companheiro. E espera no portão o cortejo de cavaleiros que em forma de cantoria, trova e poesias vai homenagear  o morto. E tudo termina em uma grande festa até as 20hs da noite conforme o morto gostava.

Obs: Este ano cavalgaram junto ao cortejo, filhos e netos do morto.