quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A CAVALGADA DO MORTO

João Carlos de Moura era um homem de respeito, galdério  estimado de grande valor no tradicionalista da cidade de Sapucaia do Sul e arredores. Trovador de renome e ginete em cima do lombo de um cavalo, gostava de animar uma festa tradicionalista com trovas e poesia, era o primeiro a chegar e o ultimo a sair. Festa sem o João Carlos não era festa e terminava cedo e ainda era motivo de falatório.
Um dia sem mais nem menos João foi chamado pelo Padrão do céu, tombando  morto ao solo. Motivo de grande comoção no meio tradicionalista, alguns até diziam que foi chamado meio as pressa no céu para alegrar grande festa.
 O enterro foi digno de um grande padrão tradicionalista. Na véspera do dia que completaria um ano do falecimento de João Carlos Mouro, bateu a saudade no coração dos amigos, que resolveram fazer uma homenagem a ele, que não gostava de tristeza e tinha como companheira a alegria que contagiava a todos. Combinaram de se encontrar na primeiras horas da manhã na frente do CTG Herança Farroupilha de sua estima. Naquela noite os que não passaram em claro, dormiu muito pouco, mesmo os que foram pra casa. Tinham que escolher a melhor bombacha, passas e dobrar bem  lenço do pescoço, lavar e escovar seu cavalo para que tivesse com o pelo brilhando pra fazer bonito na homenagem.  
Já na frente do CTG improvisaram uma missa crioula coisa bonita de se ver, saído em direção casa da viuva do falecido. Chegando-la prestaram todos homenagem a viuva em forma de trova e poesia, todos com o chapéu na mão, a viúva e os filhos choram de emoção e saudade acompanhados muitos cavaleiros que com os olhos firme lutavam para não deixar uma lágrima ou outra cair. Após saíram novamente em cavalgada em direção ao cemitério da cidade para visitar o túmulo do amigo e prestas as homenagem finais e forma de oração. Terminada esta parte todos seguiam até o local combinado pra continuarem as homenagens ao morto.  Festejaram do jeito que o amigo gostava, muito churrasco, bastante cerveja e muita cantoria, trova e poesia até as 20hs.  João Carlos de Moura alegrava ate velório por que no seu iria ser diferente.
 A cavalgada do morto virou tradição na cidade. A 10 anos todos os anos mais de 100 cavaleiros montam  seus cavalos e se encontram na frente do CTG as 8 horas da manhã imprevisão uma missa , a viuva se veste de preto e de prenda, mesmo já com a vida refeita com outro companheiro. E espera no portão o cortejo de cavaleiros que em forma de cantoria, trova e poesias vai homenagear  o morto. E tudo termina em uma grande festa até as 20hs da noite conforme o morto gostava.

Obs: Este ano cavalgaram junto ao cortejo, filhos e netos do morto.

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